1-
O início do povoamento de Cachoeiro data aproximadamente 1815.
Sabe-se
isso através dos registros de batismo. Na época o Brasil deixara de
ser colônia portuguesa. Com a chegada do Príncipe Regente D. João
VI, em 1808, o Brasil foi elevado à categoria de Reino Unido a
Portugal e Algarves.
2-
Durante o período colonial (1500 a 1808), foi intensa a exploração
de ouro pelos portugueses, nas minas de Castelo (Arraial Velho,
Caxixe, Salgado, Ribeirão do Meio e Canudal). Com a decadência do
ouro, no final do século XIX, as minas foram abandonadas, e era
necessário buscar outras formas de desenvolver a região.
3-
O Príncipe Regente Rei D. João VI determinou então, em 1812, que
Francisco Alberto Rubim, então Governador da Província do Espírito
Santo promovesse o desenvolvimento da Região. Cumprindo determinação
real, Rubim instala o QUARTEL DA BARCA, em homenagem ao cavaleiro
português Luiz Araújo, Conde da Barca. Ali começa Cachoeiro.
4-
Além do Quartel foram construídas duas estradas: Cachoeiro a Piúma
e Cachoeiro a Muribeca.
5-
O cenário: toscas casas, palhoças cobertas de sapê, caboclos,
mestiços, pequenas roças de cana, mandioca, feijão e banana. Caça
e pesca.
6-
O Quartel da Barca tinha um pequeno efetivo militar para proteger a
população dos ataques dos índios nativos puris que se localizavam
entre Cachoeiro e Castelo.
7-
A primeira casa construída pertencia ao português Manoel de Jesus
Lacerda. Isso foi entre 1815 e 1816. Os primeiros habitantes teriam
sido o próprio Manoel Lacerda e Manoel de Oliveira Mattos, ambos
portugueses. Moravam no lugar denominado Vala do TAUBIRA – depois
Itabira.
8-
No dia 25 de abril de 1815 o Tenente Luis Moreira obteve do Governo
meia légua de terras no lugar denominado CAIXÕES, onde morou depois
uma pessoa de sobrenome MONTE BELO, onde hoje é o bairro União. Ali
também morava um tal de Jośe Cardoso que era ferreiro. Nessa época
Cachoeiro tinha o melhor açúcar branco da Província.
9-
Ainda em 1815, JOSÉ DA SILVA QUINTAES, português, recebeu uma
sesmaria (grande extensão de terra) onde hoje é o BAIMINAS, cujo
dono era o Sargento Joaquim Marcelo (futuro Barão de Itapemirim).
10-
O atual bairro do AQUIDABÃ teve sua origem numa sesmaria doada em
1818 ao Capitão Francisco Gomes Coelho. Mais tarde a propriedade foi
vendida ao Sr. Anacleto Ramos.
11-
Principais produtos agrícolas dessa época: feijão, mandioca,
arroz, muita cana, algodão e cebola. O transporte de mercadorias
para Vitória durava 3 dias com evento favorável.
12-
Somente em 16 de julho de 1856 foi celebrada a primeira missa em
Cachoeiro. Nesse dia, através de Lei Provincial, foi criada a
FREGUESIA DE SÃO PEDRO DAS CACHOEIRAS DO ITAPEMIRIM, que corresponde
a Paróquia no campo religioso. A primeira missa foi celebrada num
cômodo cedido pelo Barão de Itapemirim.
13-
No ano de 1856 Cachoeiro passou a ter o CORREIO. A correspondência
chegava pela Vila de Itapemirim e subia o rio até Cachoeiro. Eram 3
homens que tripulavam a “canoa da mala”. Em 3 dias chegavam a
Cachoeiro. Daqui partiam os estafetas para o Sul, a cavalo.
14-
A população negra de Cachoeiro é de origem do grupo dos BANTOS.
Aqui vivia a tribo dos MINAS. Eram índios bravos, rebeldes
perigosos, temíveis, feiticeiros e insuperáveis na preparação de
garrafas e benzeções. O mais famoso curandeiro negro da época foi
o TIO LALAU.
15-
Os escravos não tinham o direito de divertir-se publicamente. Havia
uma Lei Provincial, promulgada em 1857, proibindo os negros de
participarem do ENTRUDO, festa popular que corresponde ao nosso
Carnaval de hoje. O negro que desobedecesse era punido em 24
palmatórias e 25 chibatadas.
16-
Em Cachoeiro, no ano de 1871, havia 6.179 escravos.
17-
A primeira Professora de Cachoeiro foi DONA JOANA PAULA DAS DORES.
Mineira de São João Del Rey veio para cá aos 26 anos de idade
fundou uma Escola em 1857 que funcionava numa casa onde dava aulas
particulares. Mais tarde fundou um internato para meninas. Faleceu no
dia 26 de março de 1907.
18-
A primeira Igreja Católica foi construída entre 1861 e 1863 no
lugar onde depois foi a Fábrica de Cimento na rua Moreira. Quem a
construiu foi Antônio Francisco Moreira em homenagem ao Divino
Espírito Santo. Ele era dono da Fazenda da Gruta e comprou toda a
margem esquerda do rio Itapemirim, desde o Itabira até a Ilha da
Luz. Antônio Moreira construiu também o cemitério (o mesmo de
hoje). Foi casado com Dona Maria Caetana Moreira e morreu em 30 de
outubro de 1977, aos 91 anos assassinado em sua própria caso por um
escravo.
19-
A primeira Agência dos Correios data de 1857. O primeiro casamento
deu-se em 19 de janeiro de 1859. Mathias Germano casou-se com Maria
Moreira. Quem celebrou foi o Padre Manoel Leite Sampaio e Mello.
20-
Já o primeiro batizado em terras cachoeirenses aconteceu em 8 de
setembro de 1850. Foi batizado o inocente ANTONIO, filho legítimo do
Capitão Francisco de Souza Monteiro e de Dona Henriqueta Bárbara
Dias de Souza. O reverendo Frei Bento de Gênova foi quem batizou.
21-
O primeiro óbito: 5 de março de 1870. Antônio Francisco Moreira
Sobrinho morreu por afogamento aos 19 anos de idade.
22-
Em 1873 a Câmara Municipal proibiu a construção de casas à margem
do rio com frente para a Rua Moreira e fundos para o rio.
23-
A Igreja de Nosso Senhor dos Passos foi Matriz de 1882 até 1949. A
partir daí, com a construção da Catedral, esta passou a ser Matriz
e depois a sede do Bispado.
24-
O primeiro jornal começou a circular em Cachoeiro no dia 1º de
julho de 1866. O dono editor foi Basílio Carvalho Daemon, depois
Vereador e Presidente da Câmara. Em 1872 mudou-se para Vitória.
Faleceu em 1893 com 59 anos de idade.
25-
No dia 23 de novembro de 1864 a Câmara Municipal de Itapemirim
aprova a Lei que emancipa Cachoeiro, porém, só foi instalado no dia
25 de março de 1967 com a instalação da primeira Câmara
Municipal. A data de 25 de março não foi escolhida ao acaso. Era o
aniversário da Primeira e única Constituição do Brasil Império
que fora outorgada por Brasil de 7 de setembro de 1822. Cachoeiro já
emancipado, tinha uma área geográfica invejável que abrangia os
atuais Municípios de Rio Novo do Sul, Atílio Vivacqua, Muqui,
Alegre, Rio Pardo (Iúna) São José do Calçado, Itabapoana,
Castelo, Alegre (1884), Guaçuí.
26-
De 1867 até 1914 quem governava a cidade era o Presidente da Câmara.
Ele acumulava a função de Presidente com a de Intendente Municipal.
A figura do Prefeito só aparece em 1914. O primeiro Intendente, que
era o Presidente da Câmara, foi Francisco Xavier Monteiro Nogueira
da Gama.
27-
A partir de 1914 a cidade passou a ser governada por um PREFEITO. É
que pela Lei Estadual nº 894 de 30 de dezembro de 1912 foram criadas
as Prefeituras em todo o interior do Estado. Em 31 de maio de 1913 a
Lei começou a ser aplicada após a Reforma da Constituição
Estadual. Em 1914 Francisco de Carvalho Braga, pai de Newton e Rubem
Braga assume a Prefeitura. É ele o primeiro Prefeito de Cachoeiro.
Governou de 1914 a 1916. O segundo foi Reinaldo Souto Machado –
1916 a 1918.
Registros
importantes sobre a cidade:
1857-Inaugurada
a primeira farmácia de Cachoeiro, de propriedade de um médico
português, o Dr. Pantojas. Mais tarde viriam as farmácias do Dr.
Batista Fluminense, de Novais Mello, de Francisco Horta de Araújo,
de Bernardo Horta (neto do Barão de Itapemirim), de Fernando de
Abreu com a famosa Farmácia Abreu (onde hoje está o Edifício
Itapuã) e outros.
1898-
Construção do prédio da Maçonaria na rua 25 de março.
1900-
Inaugurado o Caçadores Carnavalescos Clube.
1903-
Inauguração da rede de energia elétrica na Ilha da Luz. Cachoeiro
foi a décima cidade do Brasil a ter luz elétrica e a primeira do
Estado do Espírito Santo.
1903-
Construção da Fábrica de Pios da Ilha da Luz.
1903-
Inauguração da Ferrovia.
1907-
Em 5 de novembro inaugura-se o serviço de abastecimento de água.
1907-
Nasce o Centro Operário e de Proteção Mútua. Somente em 1913
passa a ter sua sede na 25 de Março perto da Casa dos Braga, graças
a ajuda de Francisco Braga que depois seria Prefeito. Ali funcionou a
Escola de Dª Palmira onde estudaram Newton e Rubem, os dois filhos
de Francisco.
1908-
Jerônimo Monteiro assume o Governo do Estado. Governou o Estado até
1912. Sabe-se que havia uma intenção velada de fazer de Cachoeiro a
capital do Estado.
1910-
O Bispo D. Fernando Monteiro, cria o colégio Divino Espírito Santo
onde mais tarde seria a Fábrica de Cimento na rua Moreira.
1910-
Em 27 de junho – Inauguração da Ponte de Ferro construída pelo
Engenheiro Florentino Ávidos com presença de Nilo Peçanha (maçon)
1912-
Inaugurado o Cinema Brasil.
1912-
Inaugurado o Cinema Progresso.
1912-
Começa a funcionar a Fábrica de Cerveja de propriedade de Ângelo
Mignoni.
1912-
A fábrica de Tecidos começa a funcionar.
1913-
Inauguração a Escola Bernardinho Monteiro.
1913-
Francisco Braga adquire o casarão da 25 de março que pertencia a
Noêmia, filha de Graça Guardiã. Noêmia, já casada, mudou-se para
o Rio de Janeiro como marido. Dona Graça Guardiã vai morar com ela.
1920-
Francisco Braga, ex-Prefeito, começa a frequentar Marataízes, junto
com Mário Rezende, pai de Wilson Lopes de Rezende. Frequentavam o
local conhecido como Bacia das Turcas.
1922-
Em 22 de fevereiro o Prefeito Luiz Fernando M. Lindenberg inaugura o
Mercado Municipal.
1922-
Começa a funcionar o Colégio Pedro Palácio, o primeiro Ginásio de
Cachoeiro sob a direção do Prof. Aristeu Portugal Neves.
1925-
Em 2 de agosto começam a funcionar em Cachoeiro os bondes elétricos.
O prefeito, Augusto Seabra Muniz era casado com a filha de
Bernardinho Monteiro.
1927-
Inauguração do Colégio Jesus Cristo Rei pela Madre Gertrudes.
1923-
Inaugurada a primeira agência do Banco do Brasil em Cachoeiro.
1936-
Criação do LICEU que funcionou e funciona até hoje num local
edificado para ser uma Fábrica de Papel. O LICEU deriva do Deus
grego APOLO LÍCIO, daí Liceum, depois Liceu. O primeiro Diretor foi
Fernando de Abreu.





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